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Pesquisa monitora consequências das mudanças climáticas em floresta tropical chuvosa

  • Foto do escritor: FNC
    FNC
  • 28 de mar. de 2022
  • 3 min de leitura
Torre de monitoramento - projeto ESECAFLOR

Uma experiência feita por pesquisadores do Programa de Pesquisa de Longa Duração na Floresta Nacional de Caxiuanã (PA), o PELD FNC, comprova que nos cenários de mudanças climáticas de redução de chuvas no Bioma Amazônia, há a previsão de colapso no número de espécies de plantas do sub-bosque pouco tolerantes a alterações micro-climáticas.


O estudo feito com a F.anisocalyx,  um dos arbustos mais abundantes do sub-bosque da floresta amazônica, mostra que a estrutura da população de F.anisocalyx foi drasticamente reduzida com a falta de chuvas. Essa planta não tolera a redução da umidade do solo provocada pela redução hídrica artificial. 


O artigo publicado pelos pesquisadores, disponível no site do projeto, mostra como a espécie foi usada como experimento para analisar seu comportamento a partir da redução artificial nas precipitações. Para tanto, o estudo buscou comparar a estrutura populacional em amostras de plantas nas duas fases: uma com mais idade (plantas mais estabelecidas), outras mais novas.


Nas duas amostras a estrutura da população de F.anisocalyx foi reduzida; a planta não tolera a redução da umidade do solo.


No que se seguiu ao experimento, houve uma mudança significativa na espécie, que diz respeito a redução da sua estrutura populacional em relação à densidade, diâmetro e altura. 


A pesquisa antecipa as previsões feitas a partir de outros estudos e reforça a dimensão dos impactos nos sub-bosques que serão causados pela redução nas chuvas. Segundo  Leandro Valle Ferreira, coordenador da pesquisa “O impacto do estresse hídrico artificial na biota do sub-bosque da floresta Amazônica no  projeto seca floresta (Esecaflor): 20 anos de monitoramento e lições aprendida, em alguns casos a vegetação será substituída por outras, ou algumas espécies simplesmente deixarão de existir. 

 

Enfrentamento ao aquecimento global


O século XXI representa um período marcado por uma grande ameaça à biodiversidade e que configura um dos principais problemas ambientais: o aquecimento global. Provocando alterações no clima, o aquecimento influencia as atividades cotidianas do homem, e ironicamente, têm ocorrido de forma mais intensa a partir de suas próprias ações.


Portanto, para colaborar com o enfrentamento ao aquecimento global é essencial tomar medidas para diminuir a propagação de gases atmosféricos. O principal responsável por esse acúmulo é o CO2. Alguns hábitos são simples: optar por transportes coletivos, poupar o uso de energia elétrica, reaproveitar resíduos e evitar queimadas e/ou desmatamentos.


Projeto de Estudo da Seca da Floresta” (ESECAFLOR)


Por meio de observações, foi possível perceber que a partir de uma anomalia, conhecida como o fenômeno “El-Niño” e diz respeito ao aquecimento das águas no Oceano Pacífico, o bioma da Amazônia sofre com a consequência da redução drástica da precipitação e passa por mudanças comportamentais da floresta.


Assim, pela necessidade de monitorar estas consequências e acompanhar as mudanças previstas pelos estudos, surge o “Projeto de Estudo da Seca da Floresta” (ESECAFLOR), como um experimento a longo prazo de uma floresta tropical chuvosa, submetida a uma condição de redução da umidade do solo induzida artificialmente. Foi desenvolvido pela equipe do PELD Floresta Nacional de Caxiuanã (FNC), sediado na cidade de Belém, no Pará.




Pesquisador João Athaides da Silva, da Universidade Federal do Pará, coordenador do Projeto Seca Floresta (ESECAFLOR) no Sítio PELD-FNC






Pesquisador Antônio Carlos Lola da Costa, da Universidade Federal do Pará, coordenador do Projeto Seca Floresta (ESECAFLOR) no Sítio PELD-FNC







Pesquisador Leandro Valle Ferreira, do Museu Paraense Emílio Goeldi, coordenador do Sítio PELD FNC






Sobre o ESECAFLOR

O campo de estudos do ESECAFLOR vem sendo desenvolvido na floresta ombrófila densa, nas proximidades da Estação Científica Ferreira Penna, localizado na Floresta Nacional de Caxiuanã (PA) e administrado pela base de pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi. O projeto iniciou em 2001 e vem sendo desenvolvido até hoje, mantido financeiramente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI/CNPq) e recursos de outras fontes. O grupo de pesquisa atua desde 1997 e reúne pesquisadores de instituições como Universidade Federal do Pará (UFPA) e do MPEG.



O projeto ainda conta com uma área dividida por duas partes, separadas por trincheiras cavadas com profundidades variando de 50 a 150 cm, equivalente a 01 hectare cada. A primeira área, denominada como testemunha, é autoexplicativa e representa a parte que testemunha os experimentos realizados. Já a segunda, diz respeito a área que chamamos de experimental, pois é nela que, através de uma estrutura composta por cerca de 6 mil painéis plásticos, acontece a exclusão de cerca de 50% da água da chuva.



sTexto: Paloma Ribeiro

Fotos:  Acervo PELD FNC/PA

Edição: Márcia Dementshuk e Rostand Melo

Coordenação do Peldcom Alessandra Brandão

Com informações de: Leandro Valle Ferreira (PELD FNC)

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Image by THLT LCX

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